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sábado, 13 de agosto de 2011

Um dia de cão!

Ontem definitivamente não foi um dia bom. Acho que não foi. Queria comprar um presente para meu pai, então, peguei meus sobrinhos pequenos: o Maycon e a Eduarda e saimos. Fomos ao comércio para procurarmos o presente. 
Logo que cheguei, procurei por um local para estacionar, difícil em véspera de festas, como é o caso do dia dos pais... Após estacionar, peguei as crianças  e fomos descendo a mesma rua. Passando em frente a um portão que se encontrava aberto, pois o dono encontrava-se regando a planta no passeio, avistamos um simples e minúsculo cachorrinho de uma raça  que não consegui identificar, dado o calor do momento, e o fato de tê-lo subestimado mesmo, pois não percebi o quanto era perigoso a não ser quando senti o meu calcanhar sendo abocanhado por ele... Motivo pelo qual, de susto, gritei um ai meio sem graça e muxo!... Mas suficiente para assustar e preocupar o velhinho, que me olhava meio assustado meio preocupado, com os olhinhos quase saindo das órbitas, dizendo:
_ Machucou? Olhei para ele meio consternada com sua preocupação que até esqueci de minha própria dor para responder-lhe:
_  Acho que não...  deixa eu ver... Está ardendo somente, mas não sangrou... Parei um pouquinho. Verifiquei um pouco o local e não vi nenhum ferimento... Então, acalmei o velhinho, e continuei andando, descendo à rua, agradecendo aos céus por ter sido o meu tornozelo e não os de meus sobrinhos, razão que me fez ficar mais atenta e prestar atenção nos portões para ver se tinha mais cachorros... Não queria correr mais riscos, pensava.
Cheguei à loja para ver o presente de meu pai... Uma loja masculina, óbvio, mas algo aguardava-me. Olhei as promoções e ofertas, analisei também as de preços normais... fui olhando um pouco para encontrar o que eu procurava... mas sabendo o que eu mais ou menos queria. Em um dado momento,  os meus sobrinhos e eu olhávamos algumas camisas bem despreocupados, quando fomos quase que imprensados por uma família que também buscava alguma peça próximo a nós, mas que fingia que não nos via... Como se estivéssemos invisíveis... A mãe veio pela frente onde eu me encontrava. E uma das filhas por trás onde estavam os meus sobrinhos... Cá para nós: não gosto de assumir isto, porque estou lutando contra. Odeio estar gordinha, mas tenho que encarar esta dura realidade!... E a senhora começou a me empurrar literalmente sem a menor cerimônia, como se eu fosse um saco de batatas... E, por outro lado, a filhinha dela fazia o mesmo com os meus sobrinhos... Parei tudo que fazia... Segurei meus lindos sobrinhos, voltei-me para a rica senhora, pois parecia a mãe _ acho que era a fortuna dela que a fazia me tratar como um lixo _ olhei bem para a cara dela para ver se ela se tocava que eu também era um ser humano, como ela, e portanto merecia respeito,  esperando que ela se dignasse a pedir licença ou me enxergasse ali, aguardando respeitosamente a minha saída e de meus sobrinhos do local para poder entrar e não passar por cima de nós como ela estava fazendo ou pelo menos tentando fazer literalmente...
A mulher assustou-se tanto ao perceber o meu semblante feroz que desapareceu da minha frente, largando as peças que estava olhando... Tomara que tenha entendido o recado e aprenda a ser educada e não a querer dominar ninguém pela força do dinheiro ou da aparência...
Mas o dia ainda não tinha acabado... Levei as crianças para a casa delas... Faltava ainda ir buscar a minha outra irmã e os filhos dela na Rodoviária, pois iam chegar de São Paulo. Então, precisei voltar ao centro da cidade outra vez, porém a minha mãe lembrou-me muito temerosa _  ela teme muito _ não sabe lidar com  o problema. De minha parte, aprendi... Ela avisou-me para tomar cuidado pois era dia das saidinhas dos presos, por causa do dia dos pais... mesmo que não pareça, eles também têm pais. Agradeci a ela e disse-lhe querendo lhe dar lição...
_ Mãe, eles são seres humanos como nós. Se os tratarmos bem eles não mexerão conosco.... Apenas não devemos nos expor ao perigo... E tentei ensinar-lhe uma porção de teorias, que na prática não são tão fáceis assim... Cada acontecimento requer uma atitude própria, então, gastei mesmo um pouco de teoria...
Para começar quando cheguei na Rodoviária fiquei meio que preocupada porque quase não encontrei lugar para estacionar... Depois quando cheguei no guichê havia aquelas pessoas "diferentes" como diria alguns esnobes, mas encarei... Fiquei por ali observando-os. Pareciam querer externar seus sentimentos justamente em público... mesmo em presença dos policiais que estavam a fazer a segurança do local... Para azar deles porque em
dado momento, um policial saído dentre aqueles, começou a esbravejar em alto e bom tom alguns impropérios, que nem me ative, tamanha a importância que dei... Eu considero desnecessário a truculência de alguns policiais, levando-se em conta que já estão devidamente armados... Todos sabem, pelo menos eu imagino que saibam, as consequências de enfrentar-se pessoas armadas, mesmo que estas pessoas tenham o dever de proteção... E tentar chamar a atenção das pessoas por causa de algum barulhinho, ou de um comportamento diferente, realmente não me impressionou nem um pouco... Estamos em um país democrático, e São Paulo está inserido neste País... Temos que respeitar o direito das pessoas serem como elas desejam ser, e não porque o outro é assim, também vou ser... Cada um deve respeitar o direito do outro: civilização...  
O povo agora assustado, sem que eu pudesse identificar se era por causa do policial ou da presença daquelas pessoas ali tão próximas deles, olhavam-nos como se fossem extra terrestres ou como se tivessem uma doença contagiosa...
Claro, que eles perderam o chão e a espontaneidade ou sabe Deus o que mais... Alguns não souberam onde enfiar a cara e foram saindo de mansinho. Outros sentaram-se para disfarçar... E eu continuei a observar todo o desenrolar daquela cena... Como o meu dia ainda estava por começar, tentei não pensar muito naquele espetáculo... Continuei aguardando o ônibus que após uma hora chegou, trazendo os meus sobrinhos e a minha irmã. Fomos para casa tentando colocar as novidades em dia e orando para que o dia de cão fosse encerrado sem mais nenhum contratempo...  


quinta-feira, 28 de julho de 2011

O lado do sol

Hoje pela primeira vez no ano tomei um ônibus coletivo. É que esse final de semana fiquei com o carro de minha amiga pois ela me pediu para usá-lo. Tenho o meu, mas o dela é novo e ela queria que eu experimentasse para eu me entusiasmar e comprar um novo também. Embora eu tenha gostado muito hoje tive que devolvê-lo. Então, precisei voltar de ônibus para casa.
Da casa dela até a minha eu preciso tomar dois ônibus. Outrossim, peguei o primeiro para ir até o terminal sem, no entanto, lembrar-me da minha labirintite. Como não ando muito de ônibus não lembrava do quanto é ruim andar de ônibus nas ruas dessa cidade. Ele vai sacolejando e aumentando o mal-estar até o terminal. De modo que, mesmo antes de chegar ao terminal eu já concentrava as minhas forças para que ele chegasse logo, pois minha cabeça e estômago estavam rodando.
Quando desci do ônibus fui rápido para pegar o outro que já estava de partida, mas minha cabeça não parava de rodar. Cheguei até o ônibus para ver se era o que eu precisava tomar, porém desisti. Com a sensação de que a qualquer momento eu colocaria tudo para fora do estômago, preferi esperar para tomar o próximo. E como o bolo alimentar parecia ter subido até a garganta eu precisei ficar andando para diminuir a sensação ruim... Andei, dentro do terminal, até me sentir melhor. Então sentei-me em um banco e pus-me a conversar com outra passageira.   
Quando me senti melhor tomei um dos ônibus que vão para a região de minha casa. Engraçado que quando eu entro, fico logo procurando por um lugar onde o sol não incida... Pensando eu estar em um bom lugar, sentei-me, e esperei o ônibus partir. Para minha tristeza, na primeira oportunidade, o sol refletiu sua luz bem na minha cara...Não que não gosto do sol, adoro-o, como todas as coisas feitas pelas mãos do criador. Tinha um senhor sentado ao meu lado. Então, falei para ele:
- Puxa! O sol está bem na minha cara!  Ele respondeu-me, dizendo:
- Não! Logo ele vai ficar do outro lado. Eu já sabendo que havia pegado o lugar no sol, disse-lhe:
- Não, este é o lado do sol. Assim iniciamos uma conversa que entrou em tantos assuntos. Do sol fomos para os homossexuais, homofobia e outros mais. Por fim o meu companheiro de cadeira, falou:
- As pessoas precisam se conformar que rico é rico e pobre é pobre. Então perguntei-lhe:
- Como assim: Então ele me disse:
- Minha Senhora os pobres sempre vão ser pobres e os ricos sempre vão ser ricos. Dei uma olhada para ele muito séria e perplexa com este comentário pois, não fazia ideia que alguém ainda pudia pensar dessa forma com tanta evolução e tecnologia. Este pensamento pegou-me de surpresa. A meu ver é muito limitador e retrógrado. Ou próprio de pessoas sem nenhum conhecimento científico. Pude entender porque alguns não conseguem sair do estado de miserabilidade que as situações os colocam. São pessoas desestimuladas por causa da continuidade de determinados comportamentos e que não pensam em mudar o "status quo" que se estabeleceu em suas vidas. Então, disse para ele o seguinte: 
- Meu Senhor por causa disto que muitas pessoas não saem do lugar, porque pensam como o Senhor. Não é bem assim meu Senhor... Tudo depende de nós de nosso desenvolvimento intelectual... É preciso que despertemos e queiramos melhorar senão não melhoramos mesmos. Essa estória de rico ser sempre rico e pobre ser sempre pobre é uma balela... Vemos muitas pessoas que eram pobres e enricaram com o esforço, estudo, trabalho e dedicação... As pessoas não podem se conformar com a situação na qual nasceram ou cresceram. Elas precisam despertar e ver que tudo é possível. Precisamos descobrir os caminhos que os ricos trilharam  e fazer o mesmo. Precisamos ser humildes e aceitar fazer alguns sacrifícios no começo para depois colher os louros. Não podemos querer achar as coisas prontas. Se não nos submetermos a determinadas situações não aprendemos o que é necessário para crescermos ou melhorarmos o nosso padrão de vida... 
Falamos mais algumas coisas e então, contei-lhe um pouco de minha vida e como eu tinha conseguido cursar uma faculdade com a ajuda de Deus que havia se lembrado de mim. Porque se não fosse Deus em minha vida eu não teria saído do lugar e talvez ainda pensasse como ele, hoje.  Não pude continuar a conversa, pois o ônibus havia chegado ao meu destino e  tive que descer. Despedi-me do meu companheiro e fui para casa pensando naquele comentário infeliz. Triste  porque se os pobres pensassem realmente do mesmo jeito que ele, nós estaríamos fadados a conviver com a desigualdade por muitos anos ainda... mas cheguei em casa, graças a Deus.