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quinta-feira, 28 de julho de 2011

O lado do sol

Hoje pela primeira vez no ano tomei um ônibus coletivo. É que esse final de semana fiquei com o carro de minha amiga pois ela me pediu para usá-lo. Tenho o meu, mas o dela é novo e ela queria que eu experimentasse para eu me entusiasmar e comprar um novo também. Embora eu tenha gostado muito hoje tive que devolvê-lo. Então, precisei voltar de ônibus para casa.
Da casa dela até a minha eu preciso tomar dois ônibus. Outrossim, peguei o primeiro para ir até o terminal sem, no entanto, lembrar-me da minha labirintite. Como não ando muito de ônibus não lembrava do quanto é ruim andar de ônibus nas ruas dessa cidade. Ele vai sacolejando e aumentando o mal-estar até o terminal. De modo que, mesmo antes de chegar ao terminal eu já concentrava as minhas forças para que ele chegasse logo, pois minha cabeça e estômago estavam rodando.
Quando desci do ônibus fui rápido para pegar o outro que já estava de partida, mas minha cabeça não parava de rodar. Cheguei até o ônibus para ver se era o que eu precisava tomar, porém desisti. Com a sensação de que a qualquer momento eu colocaria tudo para fora do estômago, preferi esperar para tomar o próximo. E como o bolo alimentar parecia ter subido até a garganta eu precisei ficar andando para diminuir a sensação ruim... Andei, dentro do terminal, até me sentir melhor. Então sentei-me em um banco e pus-me a conversar com outra passageira.   
Quando me senti melhor tomei um dos ônibus que vão para a região de minha casa. Engraçado que quando eu entro, fico logo procurando por um lugar onde o sol não incida... Pensando eu estar em um bom lugar, sentei-me, e esperei o ônibus partir. Para minha tristeza, na primeira oportunidade, o sol refletiu sua luz bem na minha cara...Não que não gosto do sol, adoro-o, como todas as coisas feitas pelas mãos do criador. Tinha um senhor sentado ao meu lado. Então, falei para ele:
- Puxa! O sol está bem na minha cara!  Ele respondeu-me, dizendo:
- Não! Logo ele vai ficar do outro lado. Eu já sabendo que havia pegado o lugar no sol, disse-lhe:
- Não, este é o lado do sol. Assim iniciamos uma conversa que entrou em tantos assuntos. Do sol fomos para os homossexuais, homofobia e outros mais. Por fim o meu companheiro de cadeira, falou:
- As pessoas precisam se conformar que rico é rico e pobre é pobre. Então perguntei-lhe:
- Como assim: Então ele me disse:
- Minha Senhora os pobres sempre vão ser pobres e os ricos sempre vão ser ricos. Dei uma olhada para ele muito séria e perplexa com este comentário pois, não fazia ideia que alguém ainda pudia pensar dessa forma com tanta evolução e tecnologia. Este pensamento pegou-me de surpresa. A meu ver é muito limitador e retrógrado. Ou próprio de pessoas sem nenhum conhecimento científico. Pude entender porque alguns não conseguem sair do estado de miserabilidade que as situações os colocam. São pessoas desestimuladas por causa da continuidade de determinados comportamentos e que não pensam em mudar o "status quo" que se estabeleceu em suas vidas. Então, disse para ele o seguinte: 
- Meu Senhor por causa disto que muitas pessoas não saem do lugar, porque pensam como o Senhor. Não é bem assim meu Senhor... Tudo depende de nós de nosso desenvolvimento intelectual... É preciso que despertemos e queiramos melhorar senão não melhoramos mesmos. Essa estória de rico ser sempre rico e pobre ser sempre pobre é uma balela... Vemos muitas pessoas que eram pobres e enricaram com o esforço, estudo, trabalho e dedicação... As pessoas não podem se conformar com a situação na qual nasceram ou cresceram. Elas precisam despertar e ver que tudo é possível. Precisamos descobrir os caminhos que os ricos trilharam  e fazer o mesmo. Precisamos ser humildes e aceitar fazer alguns sacrifícios no começo para depois colher os louros. Não podemos querer achar as coisas prontas. Se não nos submetermos a determinadas situações não aprendemos o que é necessário para crescermos ou melhorarmos o nosso padrão de vida... 
Falamos mais algumas coisas e então, contei-lhe um pouco de minha vida e como eu tinha conseguido cursar uma faculdade com a ajuda de Deus que havia se lembrado de mim. Porque se não fosse Deus em minha vida eu não teria saído do lugar e talvez ainda pensasse como ele, hoje.  Não pude continuar a conversa, pois o ônibus havia chegado ao meu destino e  tive que descer. Despedi-me do meu companheiro e fui para casa pensando naquele comentário infeliz. Triste  porque se os pobres pensassem realmente do mesmo jeito que ele, nós estaríamos fadados a conviver com a desigualdade por muitos anos ainda... mas cheguei em casa, graças a Deus.