Ontem, estava no supermercado. Fui fazer a compra do mês. Meu carrinho já estava quase completo não fosse a enorme quantidade de pessoas aguardando a senha da carne, inclusive eu. Sem aguentar esperar, faltava ainda 27 pessoas, para chegar a minha vez resolvi me pesar.
Pois é! Não sei de quem foi a idéia de colocar uma balança dentro do supermercado. Certo é que não pude controlar o desejo de ver quanto estava pesando depois das festas, embora tenha passado dez dias...
Encostei. Tirei minha simples bolsa preta e pendurei na balança. Deixei o carrinho ao lado e subi na terrível balança! Não sei se com o susto ou a constatação de haver ganhado dois quilos, apartir daquele instante não lembrei mais da bolsa.
Desci da balança peguei o carrinho e segui para a secção da carne que ainda continuava parada. Uma coisa que não gosto é de perder tempo. E para que o tempo passasse continuei procurando alguma coisa que faltasse no carrinho, andando pelo supermercado leve e solta quando de repente me dei conta do ocorrido.
Fato: onde estava minha bolsa? Cadê? Alguém tinha me tirado sem que eu me desse conta, esse era o meu pensamento que tratei de externá-lo ao funcionário mais próximo:
Peguei no braço de uma funcionária com a qual me deparei naquele instante e participei o ocorrido. O lamentável episódio e incidente.
- Moça minha bolsa sumiu.
Não conseguia me recordar de nada... O episódio da balança havia se apagado completamente de minha memória. Então continuei:
- Estava andando aqui esperando a senha da carne quando percebi que estava sem a bolsa, mas não consigo me recordar de nada... Ela sumiu sem que eu me desse conta.
Apagou da minha memória, simplismente que eu estava com bolsa... A moça pediu que eu me encaminhasse aos seguranças e relatasse o ocorrido. Aquilo o meu nervosismo começava a chamar a atenção...
Quando cheguei perto do segurança para relatar o ocorrido mais um mocinho se compadecia de minha situação: olhava para mim com piedade. O segurança conversando comigo, perguntava-me por onde eu tinha andado e de repente ele citou a balança.
- A senhora não deixou na balança?.
Eu, acordando do transe:
- Balança?
O segurança:
- Sim, a balança. A senhora pode ter retirado para se pesar e pendurado nela.
- Ah moço! Foi mesmo! Foi na balança que eu deixei! Meu Deus e agora? Será que ainda pode estar lá? Corre lá moço!
O segurança e o mocinho que me olhava com piedade correram e eu sem aguentar corri atrás, segurando o carrinho. Quando cheguei na balança que situação! Tinha uma velhinha tentando subir na balança. Já tinha jogado a bolsa preta pequena no chão. E continuava tentando subir... A velhinha era meio corcunda, e o segurança e o mocinho com piedade de mim e talvez pensando mais nos contratempos que eu teria com a perda da bolsa foram agarrando a bolsa preta pequena que estava jogada ao chão e eu observava a cena da velhinha que meio curvada se pesava esquecendo minha própria situação para socorrer a pobre coitada. Gritavam os dois em uníssono:
- Olha a bolsa preta ali... Vamos pegar.
Eu esqueci da velhinha que já olhava para o mocinho e o segurança e disse-lhes.
- Não! Esta não é minha bolsa! Esta é dela.
A velhinha acalmou! E nós saímos em busca da bolsa. Foi juntando piedosos que olhavam para a cena toda inclusive para mim o que me deixava mais agoniada. O nervosismo foi crescendo quando pensei no carro. Aí falei com o segurança.
- Corre lá no meu carro! Quem pegou vai descobrir o carro com o documento e levar o carro também...
Estava com os nervos a flor da pele já... Não estava conseguindo me controlar só de pensar nos percalços. Foi quando de repente por rádio o segurança descobriu que alguém encontrou a bolsa esquecida na balança e entregou no sac. Acho que é assim... A única coisa que me lembro dele ter falado e eu sair correndo para pegar minha bolsa preta grande que fora esquecida na balança...
Quando peguei na bolsa abri e conferi, mas não me recordava muito da quantia em dinheiro. Verifiquei a chave do carro, documento. A carteira, os cartões. O dinheiro verifiquei por alto. Deixaria para outra hora porque estava tão envergonhada daquela situação que não aguentava olhar para o mocinho...Então saí do saq e voltei para dentro do supermercado para levar minha compra. Ainda com a senha da carne na mão.
De tão nervosa que estava troquei o carrinho e já ia levando outro carrinho de outra pessoa que gritou:
- Ei este carrinho é meu!
Que situação mais vexatória! Voltei para a secção da carne que se encontrava parada no 910. Faltava ainda as 27 senhas para chegar a minha vez. Com todo esse fusuê da bolsa e as senhas não tinham andado nenhuma casa. Eu não conseguia me acalmar... meu coração continuava acelerado como uma bomba d'água e meu rosto ainda pegava fogo da vergonha.
Fiquei na secção da carne. Depois daquela situação não conseguia pensar mais em nada, mas mesmo assim parecia que era dia D porque as senhas do 910 pulou para 957 e eu tive que reclamar mais uma vez. O erro foi reparado para tristeza de alguns. E ali na espera da minha vez aproveitei para conferir a carteira, mas não conseguia atinar com a quantia que tinha porque o dinheiro que havia sido usado para pagar as contas, só restara alguns trocados.
Lembrei da pobre velhinha que não fora poupada. Sua bolsa fora quase retirada por ser da mesma cor: preta e por se encontrar no local do crime.
Temos que rever os nossos conceitos. Claro que envolvia coisas importantes, mas nada é tão importante quanto a fragilidade de um velho... e mesmo que exista alguns que não mereçam confiança, devemos tratar a todos com a mesma consideração pelo cuidado que eles requerem de nós.
Estou ainda estupefata e boquiaberta com a forma com que fora abordada a velhinha na balança. O segurança e o mocinho piedoso nem sequer cogitaram do aspecto frágil da velhinha. Foram logo pegando a bolsa e gritando que era minha, sem dó nem piedade nos corações...
Chegando em casa fui verificar a quantidade de dinheiro que havia retirado do banco e somando todas as contas verifiquei que haviam retirado da carteira pelo menos uns R$ 50,00 (cinquenta reais).
Perdoe-me o leitor e se por acaso quem tiver entregue a bolsa estiver lendo e tenha sido menor a quantidade retirada ou não tenha retirado nada. Para mim ficou como se Deus tivesse retirado a quantia. E eu estou contente porque como diz o ditado: Quem dá a Deus empresta aos pobres. Ou é o contrário? Para mim tanto faz! Pelo menos tirar novos documentos não será necessário.
Não se esqueçam: Respeitem um velho em qualquer situação! Eles merecem nossos cuidados e atenção!
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Pois é! Não sei de quem foi a idéia de colocar uma balança dentro do supermercado. Certo é que não pude controlar o desejo de ver quanto estava pesando depois das festas, embora tenha passado dez dias...
Encostei. Tirei minha simples bolsa preta e pendurei na balança. Deixei o carrinho ao lado e subi na terrível balança! Não sei se com o susto ou a constatação de haver ganhado dois quilos, apartir daquele instante não lembrei mais da bolsa.
Desci da balança peguei o carrinho e segui para a secção da carne que ainda continuava parada. Uma coisa que não gosto é de perder tempo. E para que o tempo passasse continuei procurando alguma coisa que faltasse no carrinho, andando pelo supermercado leve e solta quando de repente me dei conta do ocorrido.
Fato: onde estava minha bolsa? Cadê? Alguém tinha me tirado sem que eu me desse conta, esse era o meu pensamento que tratei de externá-lo ao funcionário mais próximo:
Peguei no braço de uma funcionária com a qual me deparei naquele instante e participei o ocorrido. O lamentável episódio e incidente.
- Moça minha bolsa sumiu.
Não conseguia me recordar de nada... O episódio da balança havia se apagado completamente de minha memória. Então continuei:
- Estava andando aqui esperando a senha da carne quando percebi que estava sem a bolsa, mas não consigo me recordar de nada... Ela sumiu sem que eu me desse conta.
Apagou da minha memória, simplismente que eu estava com bolsa... A moça pediu que eu me encaminhasse aos seguranças e relatasse o ocorrido. Aquilo o meu nervosismo começava a chamar a atenção...
Quando cheguei perto do segurança para relatar o ocorrido mais um mocinho se compadecia de minha situação: olhava para mim com piedade. O segurança conversando comigo, perguntava-me por onde eu tinha andado e de repente ele citou a balança.
- A senhora não deixou na balança?.
Eu, acordando do transe:
- Balança?
O segurança:
- Sim, a balança. A senhora pode ter retirado para se pesar e pendurado nela.
- Ah moço! Foi mesmo! Foi na balança que eu deixei! Meu Deus e agora? Será que ainda pode estar lá? Corre lá moço!
O segurança e o mocinho que me olhava com piedade correram e eu sem aguentar corri atrás, segurando o carrinho. Quando cheguei na balança que situação! Tinha uma velhinha tentando subir na balança. Já tinha jogado a bolsa preta pequena no chão. E continuava tentando subir... A velhinha era meio corcunda, e o segurança e o mocinho com piedade de mim e talvez pensando mais nos contratempos que eu teria com a perda da bolsa foram agarrando a bolsa preta pequena que estava jogada ao chão e eu observava a cena da velhinha que meio curvada se pesava esquecendo minha própria situação para socorrer a pobre coitada. Gritavam os dois em uníssono:
- Olha a bolsa preta ali... Vamos pegar.
Eu esqueci da velhinha que já olhava para o mocinho e o segurança e disse-lhes.
- Não! Esta não é minha bolsa! Esta é dela.
A velhinha acalmou! E nós saímos em busca da bolsa. Foi juntando piedosos que olhavam para a cena toda inclusive para mim o que me deixava mais agoniada. O nervosismo foi crescendo quando pensei no carro. Aí falei com o segurança.
- Corre lá no meu carro! Quem pegou vai descobrir o carro com o documento e levar o carro também...
Estava com os nervos a flor da pele já... Não estava conseguindo me controlar só de pensar nos percalços. Foi quando de repente por rádio o segurança descobriu que alguém encontrou a bolsa esquecida na balança e entregou no sac. Acho que é assim... A única coisa que me lembro dele ter falado e eu sair correndo para pegar minha bolsa preta grande que fora esquecida na balança...
Quando peguei na bolsa abri e conferi, mas não me recordava muito da quantia em dinheiro. Verifiquei a chave do carro, documento. A carteira, os cartões. O dinheiro verifiquei por alto. Deixaria para outra hora porque estava tão envergonhada daquela situação que não aguentava olhar para o mocinho...Então saí do saq e voltei para dentro do supermercado para levar minha compra. Ainda com a senha da carne na mão.
De tão nervosa que estava troquei o carrinho e já ia levando outro carrinho de outra pessoa que gritou:
- Ei este carrinho é meu!
Que situação mais vexatória! Voltei para a secção da carne que se encontrava parada no 910. Faltava ainda as 27 senhas para chegar a minha vez. Com todo esse fusuê da bolsa e as senhas não tinham andado nenhuma casa. Eu não conseguia me acalmar... meu coração continuava acelerado como uma bomba d'água e meu rosto ainda pegava fogo da vergonha.
Fiquei na secção da carne. Depois daquela situação não conseguia pensar mais em nada, mas mesmo assim parecia que era dia D porque as senhas do 910 pulou para 957 e eu tive que reclamar mais uma vez. O erro foi reparado para tristeza de alguns. E ali na espera da minha vez aproveitei para conferir a carteira, mas não conseguia atinar com a quantia que tinha porque o dinheiro que havia sido usado para pagar as contas, só restara alguns trocados.
Lembrei da pobre velhinha que não fora poupada. Sua bolsa fora quase retirada por ser da mesma cor: preta e por se encontrar no local do crime.
Temos que rever os nossos conceitos. Claro que envolvia coisas importantes, mas nada é tão importante quanto a fragilidade de um velho... e mesmo que exista alguns que não mereçam confiança, devemos tratar a todos com a mesma consideração pelo cuidado que eles requerem de nós.
Estou ainda estupefata e boquiaberta com a forma com que fora abordada a velhinha na balança. O segurança e o mocinho piedoso nem sequer cogitaram do aspecto frágil da velhinha. Foram logo pegando a bolsa e gritando que era minha, sem dó nem piedade nos corações...
Chegando em casa fui verificar a quantidade de dinheiro que havia retirado do banco e somando todas as contas verifiquei que haviam retirado da carteira pelo menos uns R$ 50,00 (cinquenta reais).
Perdoe-me o leitor e se por acaso quem tiver entregue a bolsa estiver lendo e tenha sido menor a quantidade retirada ou não tenha retirado nada. Para mim ficou como se Deus tivesse retirado a quantia. E eu estou contente porque como diz o ditado: Quem dá a Deus empresta aos pobres. Ou é o contrário? Para mim tanto faz! Pelo menos tirar novos documentos não será necessário.
Não se esqueçam: Respeitem um velho em qualquer situação! Eles merecem nossos cuidados e atenção!
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