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sábado, 10 de dezembro de 2011

Como criança

Outro dia estava dentro do ônibus coletivo, que vem para minha casa e ao meu lado uma senhora negra gorda que me olhava meio alheia, quando de repente surtei e falei para ela:

_ Senhora essa sua barrigona é de tanto comer arroz e feijão sabia? Eu estava assim também. Então, parei de comer arroz e feijão e passei a comer somente verduras e legumes e muitas saladas. Minha barriga diminuiu e eu perdi muitos quilos... Por que a senhora não tenta parar de comer arroz e feijão? Vai ver que sua barriga vai diminuir também. Ela me olhava meio incrédula, como se não acreditasse no que estava ouvindo. Olhou para os lados para ver se os outros estavam ouvindo e tornou a olhar-me com reprovação. E Eu inocentemente a olhava sem perceber nada. Até que o ônibus chegou ao meu destino e eu desci.

... Isto aconteceu quando eu tive uma recaída de meu problema depressivo ou para não dizer psiquiátrico... Este problema quando me acomete sempre me coloca em maus lençóis, porque fico como criança. Não tenho controle do que falo nem de minha imaginação, então, vou colocando para fora tudo que vêm à mente. E tudo nem sempre é tão real e verdadeiro. Às vezes têm apenas fruto mesmo de minha imaginação... Mas no caso desta senhora, recordando esse episódio hoje, dei boas risadas, mas no dia, a senhora não sorriu. Ao contrário, permaneceu muito séria. E eu escapei de levar uns safanões ...

Não sei o que a Senhora em questão pensou que estava se passando comigo... Mas com certeza deve ter me chamado de maluca sim... Não é todo o dia que nos deparamos com pessoas que nos dizem aquilo que precisamos ouvir e nem sempre a sinceridade acaba bem. Espero que essa senhora tenha seguido o meu conselho e mudado sua alimentação. Para o bem dela e de todos quantos pretendam emagrecer e perder as protuberâncias...           

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O lado do sol

Hoje pela primeira vez no ano tomei um ônibus coletivo. É que esse final de semana fiquei com o carro de minha amiga pois ela me pediu para usá-lo. Tenho o meu, mas o dela é novo e ela queria que eu experimentasse para eu me entusiasmar e comprar um novo também. Embora eu tenha gostado muito hoje tive que devolvê-lo. Então, precisei voltar de ônibus para casa.
Da casa dela até a minha eu preciso tomar dois ônibus. Outrossim, peguei o primeiro para ir até o terminal sem, no entanto, lembrar-me da minha labirintite. Como não ando muito de ônibus não lembrava do quanto é ruim andar de ônibus nas ruas dessa cidade. Ele vai sacolejando e aumentando o mal-estar até o terminal. De modo que, mesmo antes de chegar ao terminal eu já concentrava as minhas forças para que ele chegasse logo, pois minha cabeça e estômago estavam rodando.
Quando desci do ônibus fui rápido para pegar o outro que já estava de partida, mas minha cabeça não parava de rodar. Cheguei até o ônibus para ver se era o que eu precisava tomar, porém desisti. Com a sensação de que a qualquer momento eu colocaria tudo para fora do estômago, preferi esperar para tomar o próximo. E como o bolo alimentar parecia ter subido até a garganta eu precisei ficar andando para diminuir a sensação ruim... Andei, dentro do terminal, até me sentir melhor. Então sentei-me em um banco e pus-me a conversar com outra passageira.   
Quando me senti melhor tomei um dos ônibus que vão para a região de minha casa. Engraçado que quando eu entro, fico logo procurando por um lugar onde o sol não incida... Pensando eu estar em um bom lugar, sentei-me, e esperei o ônibus partir. Para minha tristeza, na primeira oportunidade, o sol refletiu sua luz bem na minha cara...Não que não gosto do sol, adoro-o, como todas as coisas feitas pelas mãos do criador. Tinha um senhor sentado ao meu lado. Então, falei para ele:
- Puxa! O sol está bem na minha cara!  Ele respondeu-me, dizendo:
- Não! Logo ele vai ficar do outro lado. Eu já sabendo que havia pegado o lugar no sol, disse-lhe:
- Não, este é o lado do sol. Assim iniciamos uma conversa que entrou em tantos assuntos. Do sol fomos para os homossexuais, homofobia e outros mais. Por fim o meu companheiro de cadeira, falou:
- As pessoas precisam se conformar que rico é rico e pobre é pobre. Então perguntei-lhe:
- Como assim: Então ele me disse:
- Minha Senhora os pobres sempre vão ser pobres e os ricos sempre vão ser ricos. Dei uma olhada para ele muito séria e perplexa com este comentário pois, não fazia ideia que alguém ainda pudia pensar dessa forma com tanta evolução e tecnologia. Este pensamento pegou-me de surpresa. A meu ver é muito limitador e retrógrado. Ou próprio de pessoas sem nenhum conhecimento científico. Pude entender porque alguns não conseguem sair do estado de miserabilidade que as situações os colocam. São pessoas desestimuladas por causa da continuidade de determinados comportamentos e que não pensam em mudar o "status quo" que se estabeleceu em suas vidas. Então, disse para ele o seguinte: 
- Meu Senhor por causa disto que muitas pessoas não saem do lugar, porque pensam como o Senhor. Não é bem assim meu Senhor... Tudo depende de nós de nosso desenvolvimento intelectual... É preciso que despertemos e queiramos melhorar senão não melhoramos mesmos. Essa estória de rico ser sempre rico e pobre ser sempre pobre é uma balela... Vemos muitas pessoas que eram pobres e enricaram com o esforço, estudo, trabalho e dedicação... As pessoas não podem se conformar com a situação na qual nasceram ou cresceram. Elas precisam despertar e ver que tudo é possível. Precisamos descobrir os caminhos que os ricos trilharam  e fazer o mesmo. Precisamos ser humildes e aceitar fazer alguns sacrifícios no começo para depois colher os louros. Não podemos querer achar as coisas prontas. Se não nos submetermos a determinadas situações não aprendemos o que é necessário para crescermos ou melhorarmos o nosso padrão de vida... 
Falamos mais algumas coisas e então, contei-lhe um pouco de minha vida e como eu tinha conseguido cursar uma faculdade com a ajuda de Deus que havia se lembrado de mim. Porque se não fosse Deus em minha vida eu não teria saído do lugar e talvez ainda pensasse como ele, hoje.  Não pude continuar a conversa, pois o ônibus havia chegado ao meu destino e  tive que descer. Despedi-me do meu companheiro e fui para casa pensando naquele comentário infeliz. Triste  porque se os pobres pensassem realmente do mesmo jeito que ele, nós estaríamos fadados a conviver com a desigualdade por muitos anos ainda... mas cheguei em casa, graças a Deus.  

domingo, 19 de setembro de 2010

Antes do nascer do Sol


Já dormi pouco antes mas esta noite foi a mais curta durante este inverno. Fui dormir tarde, conversando com um internauta e tive que acordar cedo …. Ontem à noite resolveu esfriar depois de um inverno tão quente. E esfriou tanto à noite que eu acordei com o vento cantando... E olha, precisei pular da cama exatamente às 4:50 horas... e estava tão frio, tão frio que quase não consegui sair. Ainda era noite... O sol não havia aparecido... E lá ia eu pela estrada buscar os meus pais e ajudar a carregar as bagagens deles!    
É que meus pais foram viajar e tivemos que madrugar para leva-los à rodoviária... Imagine! Eles foram para à Bahia. Eles são baianos e estavam aqui, no Estado de São Paulo há quase cinco anos... foram de ônibus pois levavam tanta bagagem, tanta bagagem que não tiveram saída a não ser enfrentar o longo caminho até à Bahia... Para ir de avião e mandar a bagagem pelo ônibus eles não aceitaram, com medo de  extraviar. Então foram eles e as bagagens juntos, no ônibus mesmo...  
O duro foi embarcá-los. Nós os filhos ficamos tão sentidos com a viagem deles que não pudemos nos despedir direito... Todos emocionados porque afinal a viagem é muito longa e nunca se sabe o que pode acontecer... Apesar de confiarmos muito em Deus e a ele confiar os nossos caminhos e destino, ficamos muitos aflitos nessas horas!...
O velho já está com mais de 70 e a velha está entrando nos 70... Não gostamos de deixá-los viajarem sozinhos mais. Procuramos ter todo o cuidado com eles, pois ainda queremos gozar mais tempo de suas companhias.
Minhas irmãs estavam com lágrimas e eu disfarcei... Não queria deixar os velhos preocupados. Era a mais velha e responsável portanto por todos. Se eles me vissem chorando iam achar que eu estava virando uma geléia(sensível). Meu irmão e meu cunhado também estavam emocionados. Então entraram no ônibus com eles e quase não saíram... O motorista teve que retira-los para poderem partir e nós ficamos embaixo acenando até que eles já estavam longe... Acho que são quase dois dias de viajem... e lá se foram eles...    
Graças ao bom pai das luzes que eles estavam animados e, bastantes felizes pelo regresso à tão amada terrinha! Eles gostam de São Paulo e se pudessem ficariam aqui para o resto da vida, mas há muitos parentes e filhos ainda na terra do descobrimento. Eles não agüentavam mais adiar à viagem. Por nossa(filhos) causa quase não viajaram. Marcavam e desmarcavam a viagem... A cada novo dia surgia um problema e lá iam eles resolverem... Papai e mamãe viviam auxiliando um e outro filho aqui no Estado. E tinha outras pessoas que também requeriam a atenção deles...
Coitados! Foram recarregar-se... E não há lugar mais apropriado para se recarregar as energias do que a nossa terra natal, junto dos nossos entes queridos e amigos. No lugar em que aprendemos a viver e a sonhar... O lugar onde alçamos nossos primeiros vôos.
Mas mal mamãe saiu da cidade já estava ligando para saber se nós já havíamos voltado para casa... e, não parou de ligar até os créditos acabarem... 
Mamãe é assim, quer resolver os problemas de todos os filhos... Esquece até os delas mas os filhos ela ajuda... É como uma galinha com seus pintinhos... Põe todos debaixo das asas e lá vai... Tem um coração enorme e as vezes extrapola. Sai do seu normal... Mas nunca falta colo para ninguém e todos procuram o seu aconchego... Mamãe é como uma deusa... Basta conversamos com ela e achamos logo as respostas para tudo... Tenho certeza que Deus está sempre com ela...
Estamos com saudade deles... Mas queremos que eles aproveitem bem à vida que ainda lhes resta. Quer seja cuidando de nós. Quer seja cuidando dos outros.
Que Deus proteja para sempre os nossos pais e todos nós!